Dra. Raquel Salla

Por que escolheu os anfíbios como foco de estudo? Na verdade, logo que eu comecei a faculdade de Biologia eu morria de medo de sapos!! E um dia uma professora incrível chamada Monica Jones resolveu me ensinar mais sobre os anfíbios. Ela me mostrou como eles são importantes, como não são perigosos, e como eles podem ser muito lindos!! Desde esse dia eu resolvi que iria estudá-los e protege-los. Foi “amor científico” à primeira vista!!

Atualmente, qual é o ecossistema com a saúde ambiental mais prejudicada? É bem difícil quantificar isso para o mundo todo. Na realidade, todos os nossos ecossistemas estão contaminados pela própria ação humana. Porém, talvez o ecossistema que nós mais entramos em contato e dependemos diariamente é o aquático, pois dependemos da água para praticamente tudo.

Se for descoberta alguma maneira de reverter uma parte desses resíduos nucleares, poderia haver alguma chance de voltar a ter uma população morando em Chernobyl? Sim, com certeza! Na verdade, todo elemento radioativo possui uma “meia-vida” que é finita. Ou seja, ele vai sofrendo vários processos de alterações químicas nos seus átomos, até que em um certo momento, o átomo que antes era radioativo já não existe mais no ambiente. É como se ele fosse aos poucos “degradando” (porém através de um decaimento radioativo). Após muito tempo, a radioatividade deixa de existir, e os organismos podem voltar a crescer e a viver naquela região novamente.

Pelo apossematismo, entendemos que quanto mais colorido mais perigoso. Mas, no caso dos sapos, essa toxicidade é capaz de matar um ser humano? Na verdade, nem todas as espécies muito coloridas são realmente venenosas. Existem algumas espécies que não possuem toxinas mas são coloridas também. Mas, mesmo assim muitas possuem toxinas e essa característica é muito importante. Algumas espécies de anfíbios possuem toxinas neurotóxicas, e neste caso, caso a pessoa absorva uma quantidade muito grande dessas toxinas e não seja tratado, aí sim, é possível causar morte. Mas é extremamente raro isso acontecer, pois estes animais são muito difíceis de serem encontrados.

Como você reage aos comentários machistas na ciência? Quando eu era mais nova, eu ficava muito brava e queria discutir com a pessoa. Mas com o tempo eu fui percebendo que essa forma de ser não levava a nada, e também não fazia a pessoa deixar de ser machista. Então hoje em dia , embora eu ainda fique muito brava quando ouço algo machista, eu tento agir diferente: tento conversar com a pessoa, aos poucos, e tentar mostrar a ela um outro ponto de vista, mais inclusivo.

Onde podemos encontrar mais sobre seu trabalho, Raquel? Para quem quiser ler artigos e saber mais sobre as minhas publicações científicas, este é o link do meu currículo lattes: <http://lattes.cnpq.br/1738422158151824>. Mas também tenho uma página do Instagram @raquel.salla (<https://www.instagram.com/raquel.salla/?hl=pt-br>) onde eu sempre compartilho várias atividades do meu dia-a-dia na Ciência!