Dra. Laura Paulucci

Todas as estrelas podem colidir-se um dia?
Dada a quantidade de estrelas que existem, eventos de colisões de estrelas são relativamente raros. A distância entre as estrelas tende a ser grande. Se estiverem em um sistema binário, alguma coisa precisa fazer com que percam energia constantemente para que haja uma colisão. Isso ocorre por exemplo em sistemas binários de estrelas de nêutrons (que não são, tecnicamente, mais estrelas), mas há 1 colisão na Via Láctea a cada 3000 a 60000 anos. Algum outro evento pode ocorrer e fazer com que uma estrela vague pela galáxia, podendo encontrar outra estrela mas mesmo em colisões de galáxias inteiras, é muito raro uma estrela colidir com outra.

O que acontece quando uma estrela M< 8 M_sol sofre uma nebulosa planetária perto de outra estrela? Os gases atingem ela? Ela é puxada para perto da anã branca?
O que acontece em um sistema de duas estrelas depende muito da distância entre essas estrelas. Pode haver transferência de massa entre as estrelas ao longo da evolução das duas, por exemplo. Quando uma estrela em um sistema duplo ejeta suas camadas externas na forma de uma nebulosa planetária, os gases podem atingir a estrela companheira conforme se expandem mas a velocidade é relativamente baixa. Ela não seria puxada para perto da anã branca porque a anã branca ficará no final com massa menor do que antes de ejetar suas camadas externas.

Qual é a relação do tempo de vida de uma estrela com a sua massa?
O tempo de vida da estrela depende da sua massa, quanto mais pesada, menor o tempo de vida, podendo ir de poucos milhões até milhares de bilhões de anos. Uma relação aproximada é de o tempo de vida ser proporcional a 1/massa2,3. Mas isso depende vale para uma estrela isolada, não vale se ela sofrer interação com outra estrela em um sistema duplo ou triplo.

Por que não conseguimos enxergar planetas do nosso próprio sistema, mas conseguimos enxergar milhares de estrelas, que estão muito mais distantes?
A quantidade de luz que chega até um observador de uma determinada fonte diminui com o quadrado da distância entre a fonte e o observador. Os planetas apenas refletem a luz que chega até eles. No sistema solar, podemos enxergar a olho nu os planetas que estão mais próximos ao Sol, que recebem bastante luz, e até Júpiter e Saturno que, apesar de mais afastados do Sol, são bem grandes e refletem bem a luz solar. Para os mais afastados, precisamos de telescópios. Já as estrelas são enormes (bem maiores que os planetas) e emitem muita luz. Mesmo assim não são todas as estrelas que conseguimos enxergar a olho nu. Isso vai depender da quantidade de luz que a estrela emite (depende da massa e da fase da vida na qual ela se encontra) e da distância até nós.

Pode acontecer de todas as estrelas morrerem de uma só vez e não existir mais estrelas no céu?
Cada estrela tem o seu tempo de vida e elas são criadas em momentos diferentes, então elas não irão morrer todas de uma vez. A Via Láctea ainda forma estrelas e vai demorar muito tempo ainda para que a formação de estrelas pare na Galáxia e para que as estrelas mais leves todas morram (trilhões de anos). Ainda haverá estrelas brilhando por muito, muito tempo na Via Láctea.

Todas as estrelas tem nomes, mas por que?
As estrelas ganham nomes para que fique mais fácil identificá-las e as estudar. Os antigos usaram nomes como Sirius, Canopus, Rigel… Conforme as técnicas de observação foram melhorando e novas estrelas passaram a ser observadas, houve um aumento muito grande em seu número e elas passaram a ser identificadas pelo nome da constelação onde estão seguida de uma letra grega que indica seu brilho (a mais brilhante é alfa, seguida de beta e assim por diante). Mas hoje conhecemos muitas estrelas para nomeá-las todas com nomes “criativos”. Então elas ganham um número que representa suas posições no céu e são associadas ao catálogo que as descreve. Por exemplo, Sanduleak -69º 202 foi a estrela que deu origem à supernova 1987A.

Quanto tempo a estrela vive e quando tempo mais ou menos ela passa em cada fase?
O tempo que a estrela vive varia de acordo com a sua massa. As mais pesadas, com mais de 60 massas solares, vivem poucos milhões de anos e se estima que as mais levinhas, com menos de 20% da massa do Sol, podem viver por alguns trilhões de anos. As estrelas passam cerca de 90% das suas vidas na fase de sequência principal, na qual fazem a fusão de hidrogênio em hélio no seu interior. O restante do tempo, passam na forma de gigantes ou supergigantes.

Por que as estrelas só aparecem no meio da noite e não conseguimos observar durante o dia?
Na verdade, enxergamos uma estrela de dia: o Sol. E é por isso que temos dificuldade em ver as demais estrelas, já que o Sol é muito brilhante, além de sua luz ser espalhada pela atmosfera, ofuscando o brilho dos demais objetos. É um efeito similar ao de poluição luminosa nas grandes cidades, que faz com que a observação de estrelas menos brilhantes seja mais difícil nestas localidades. Durante um eclipse total do Sol, é possível observar as estrelas mais brilhantes também.

Do que as estrelas e o universo são feitos?
As estrelas são feitas, basicamente, de hidrogênio e hélio com uma quantidade de elementos mais pesados que depende de quão velhinha ela é e da região na qual ela foi formada. Mas esta quantidade não passa de alguns porcentos de sua massa. Já o Universo é mais misterioso… Uma fração bem pequena, menos de 5%, do que o compõe é feito do mesmo material das estrelas, dos planetas e do que enxergamos em nosso dia-a-dia. Mas parecem existir duas outras componentes chamadas de matéria escura, que forma cerca de 27%, e energia escura, com o restante, quase 70%! Só conseguimos identificar estas duas componentes pelos efeitos vistos em alguns eventos do Universo e o que são exatamente é uma das grandes questões em aberto atualmente em astronomia e física de partículas.

É verdade que dentro de um buraco negro o tempo não passa? Se não, o que acontece dentro dele exatamente?
Ninguém sabe o que acontece no interior do buraco negro porque nada escapa do buraco negro, então não temos como obter informação de lá. Existe um limite, chamado de raio de Schwarzschild, que delimita a região de onde podemos obter informação em torno do buraco negro. Conforme algo se aproxima deste raio (que não é uma delimitação física, somente matemática) o tempo começa a passar cada vez mais devagar até que ele “congelaria” sobre o raio de Schwarzschild.